Podcast Tenda Materna – EP. #20 – Puerpério


É muito importante que cada mulher valide sua história, acolha, olhe com amor para sua história. Por mais que você esteja no olho do furacão, naquele turbilhão e possa parecer “Deus, por que comigo?” mas nada é à toa. Uma coisa muito linda aconteceu quando o Joaquim já tinha uns 3, 4 anos. A gente tava ali comendo alguma coisa na cozinha e do nada ele falou “mãe, sabe por que tu ficou grávida na primeira vez, por que o bebêzinho não nasceu?”Aí falei: “Por quê?”. “Foi para tu aprender a ficar grávida”. Gente, eu fiquei toda arrepiada. Realmente, eu aprendi.” – Roberta Arend, durante a gravação do episódio da Tenda.

Quem aí nunca chorou com o bebê no colo? Ou durante o banho? Quem aí já não se sentiu sozinha e desamparada? Como explicar essa tristeza que nos invade depois de nos tornarmos mães em paralelo a momentos de tanta alegria?

Por mais maravilhosa que possa ser a chegada de um bebê, a maternidade também pode nos fazer viver um turbilhão de sentimentos. No 20o episódio da Tenda Materna, eu e a Clarissa convidamos a Roberta Arend para falar sobre Puerpério, esta fase da maternidade que pode nos partir no meio e nos deixar sem chão e sem identidade.

A Roberta é doula, educadora parental, mãe do Joaquim e da Aurora e criadora do Programa Puérperas. Na gravação, revisitamos nossos partos e puerpérios e o quanto aprendemos com eles.

O puerpério é um momento de recolhimento necessário para conhecermos o novo ser que chega

O puerpério é uma contração profunda que a mulher vivencia necessária para ela conectar com esse momento da vida, com esse ser que está chegando, necessária para ela se ver neste outro lugar, nessa nova relaçào, nesse encontro com este ser que é algo totalmente desconhecido e diferente de tudo o que ela já viveu na vida dela. Precisamos deste recolhimento, deste desligar do mundo externo, para conhecermos este ser que chegou.” – Clarissa, durante a gravação.

Falamos do quanto a chegada do bebê nos derruba a ilusão de que temos controle da vida, de como nossos filhos vão ser e de como seremos como mães.

Abrimos nosso coração e contamos algumas de nossas experiências dolorosas, como perdas gestacionais e problemas de saúde de nossos bebês, o quanto isso nos desestabilizou em princípio, mas nos serviu de aprendizado e pareceu ter mais sentido tempos depois.

Hoje fica mais claro o quanto esses tombos nos ajudaram a nos conectar com nossa essência e até a entender e nos preparar melhor para nossas missões de vida.

Acabei contando um pouco sobre o parto da Nara, da dificuldade que eu tive de me entregar e confiar no meu corpo, do quanto eu estava tentando controlar cada momento e apavorada com o que estava por vir. E como já ficou escancarado, com a malformação dela na orelha e na mandíbula, que eu não tinha controle de nada.

Falamos da solidão da puérpera, que quando oscila entre o choro e o alegria, o deslumbre e a insegurança de ter um bebê nos braços, não encontra alguém com quem dividir abertamente essa confusão emocional. Como ninguém fala abertamente sobre isso, esse tema vira um tabu e a puérpera se sente inadequada, sozinha e invisível.

Como é possível?”, muitas mulheres se perguntam. “Posso mesmo estar me sentindo mal se tudo o que eu mais queria era ter um bebê?”

Quantas de nós nos desconhecemos completamente após a vinda do bebê?

O puerpério é um grande portal que nos permite acessar aspectos nossos adormecidos. Ele pode ser o início de uma jornada de autoconhecimento que vai nos permitir reconectar com nossa essência. Mas pode ser doloroso mergulhar em nós mesmas e nos deparar com nossas sombras, especialmente se não temos uma rede de apoio ou um lugar de escuta.

Como foi para você? O puerpério fez você se sentir perdida de você mesma? Você teve com quem dividir suas dores e inseguranças?

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