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Como as feridas emocionais nos impedem de ser os pais que queremos ser

Eu estava preparando um melão de lanche pra Nara na cozinha e quando terminei de cortá-lo, agarrei ela nos bracinhos para colocá-la na cadeira. De repente ela esbravejou e disse gritando, enquanto descia de volta pro chão indignada:

– Não, mamãe, eu sei sentar sozinha! Você não precisa me ajudar!

– Eu sei que não! Eu só te ajudei porque sou uma bruxa!

– Uma bruxa?

– Sim! Porque eu estou tentando te ajudar, mas como pra você parece que eu estou te atrapalhando, eu devo ser uma bruxa.

– Mamãe, eu não disse que você é uma bruxa!

– Eu sei.

Olho para ela com vergonha. Respiro fundo. Me dou conta do que estou sentindo e pensando sobre ela e do quanto estou sendo injusta. Faz tempo que reconheci que minha maior ferida de infância foi a da rejeição. Por conta disso, percebi que é como se eu tivesse um filtro pra enxergar as situações que vivo, como se algumas experiências acontecessem unicamente pra comprovar que tenho motivos pra me sentir assim.

Lá estava eu de novo me sentindo rejeitada e desvalorizada, chamando minha filha de ingrata dentro da cabeça e sentindo pena de mim. Ao notar isso, em seguida fico triste e decepcionada comigo, sentindo-me culpada por projetar nela minha dor, por tratá-la mal por ainda ter esta ferida.

– Sabe por que eu quis subir sozinha na cadeira, mamãe? Para mostrar para você que eu consigo!

Meu Deus! Eu tenho uma filha que, aos 4 anos, é capaz de se impor, se defender, que está completamente conectada consigo mesma, que se sente confiante ao ponto de me desafiar, que sabe se expressar com clareza, que sente orgulho de si mesma e que quer me mostrar o quanto se sente bem de fazer algo por si mesma, porque está crescendo e tendo mais autonomia. Ela quer compartilhar tudo o que está conquistando comigo. Quer se sentir parte, quer conectar comigo. Ela é uma criança feliz e emocionalmente saudável. ❤

Me lembro da Byron Katie, quando ela diz que “a realidade é sempre mais gentil do que a história que contamos sobre ela.” A Nara não está me rejeitando nem me desvalorizando. Isso é um filme na minha cabeça que remete à minha história, às minhas dores de infância.

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Peguei minha filha no colo e me desculpei. Por um momento, ainda mexida com minha criança ferida, fiquei imersa na decepção e fiquei me maltratando por dentro: “Nossa, Maíra, tanto tempo se trabalhando, buscando formas de estar mais consciente e de limpar suas dores, como pode reagir mal com uma cena tão besta?”

Pausa. Respiro fundo. Relembro que estou num processo. Me dou conta do quanto estou sendo injusta e crítica comigo mesma.

Chega de se rejeitar, Maíra, olha para o quanto você já avançou, para a quantidade de coisas lindas que você já fez desde que se tornou, olha para a filha maravilhosa que você tem, veja o quanto ela é infinitamente mais livre e confiante que a menina que você foi. Isso é resultado de tudo o que você está aprendendo e aplicando. Celebre! Você é uma mãe incrível! Você não é perfeita e nem precisa ser. Você errou hoje e vai errar ainda muitas vezes. E tudo bem. Você é humana e tropeçar é mais que normal. Não se exija estar sempre bem, não se rejeite por pisar na bola. Peça desculpas a ela, mostre que você é humana. Acolha você mesma e libere sua filha de achar que errar é algo inaceitável“.

Faço as pazes comigo. Respiro fundo e me acolho. “Está tudo bem, Maíra, foi só um mal momento. Foi só sua criança ferida se sentindo cutucada novamente. Hoje você não se conteve a tempo, mas tem dias que você consegue, você sabe disso.”

Abraço minha filha com muito amor, pensando na sorte que eu e ela temos. ❤

“Obrigada, filha, por ser minha mestra. Obrigada por me ensinar tanto. Depois que você chegou, eu finalmente estou aprendendo a me amar”.

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Eu e minha pequena ♥

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Não é fácil me expor assim e contar em detalhes publicamente como ajo com minha filha quando me deixo levar pelas dores da minha criança ferida. Ainda sinto vergonha e culpa, apesar de estar aprendendo a me aceitar e entender que é normal isso tudo acontecer, que tudo bem falhar e que nem posso esperar que não seja dessa forma.

Quando optamos pela Parentalidade Consciente, muitas vezes caímos no erro de acreditar que não podemos causar nenhum dano à criança em nenhum momento. Como se fosse evitável e dependesse apenas da nossa habilidade ou inabilidade oferecer um futuro sem traumas aos nossos filhos. Ficamos tão impressionados ao entender os efeitos que uma educação rígida e sem respeito pode causar na criança que ficamos tensos e super críticos com cada passo que damos, cada frase que dizemos. Precisamos ter cuidado para não tornar esta escolha um peso e uma cobrança a mais.

Optar por educar com consciência fica mais leve quando entendemos que estamos num processo de reaprendizado, que somos humanos e que podemos amar todas as nossas partes, inclusive as imperfeitas. Vai ser mais fácil seguir por este caminho quando aceitarmos as imperfeições de nossos pais, honrarmos nossa história e aprendermos a nos amar incondicionalmente. Precisaremos nos aproximar de nossa criança interior, acolher e validar suas dores e ajudá-la a se sentir amada, acompanhada e segura.

Recuperar o verdadeiro amor por nós mesmos, sem esperar pela aprovação externa, pelo amor do outro, é o que nos possibilitará conectar com as necessidades de nossos filhos. Poderemos nos relacionar com eles sem projetar neles nossas dores e histórias.

Se permitimos que nossos filhos nos guiem na jornada da parentalidade, temos uma grande oportunidade de nos tornarmos melhores pais para esses pequenos mestres que vieram com tanto a nos ensinar. Podemos agarrar a oportunidade de conhecer melhor nossas crianças (nossa criança interior e nossos filhos) e ajudá-las a resgatarem sua confiança e amor próprio.

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🗣 2 > Como a falta de autocuidado e nutrição emocional nos impede de ser os pais de que gostaríamos de ser
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