7 Dicas Para Ajudar Seu Filho a Lidar Com a Frustração

“Meu filho não consegue lidar bem com a frustração, como posso ajudá-lo?”

“Do nada, ele se joga no chão, se bate, me bate, grita, chora, esperneia. Agora deu pra agir assim, não entendo porque tudo isso”.

Knost10 7 Dicas Para Ajudar Seu Filho a Lidar Com a FrustraçãoAntes de tudo, sejamos sinceras: você gosta de se sentir frustrada? Acho que não, né? Por mais que possa nos parecer bobagem, pra criança ou pro bebê pode ser devastador quando o castelo desmorona, a banana quebra no meio, um brinquedo é arrancado de suas mãos, tá na hora de deixar o parquinho, a água molha a roupa, a areia cai no cabelo, outras crianças invadem o escorregador bem na hora que era sua vez de brincar… Só porque elas são pequenas, não quer dizer que o universo das crianças não tenha importância. Dentro da etapa em que estão vivendo, aquele incidente que pra gente é uma besteira sem tamanho, para elas pode ser um verdadeiro desastre.

Como você se sente quando perde a hora para um compromisso importante, ou quando de repente chega uma multa inesperada pelo correio ou quando não consegue aquele aumento de salário esperado que você estava ensaiando negociar com seu chefe? Difícil não ficar pelo menos chateada, né? No entanto, o mais provável é que seu filho não ligue para nenhuma dessas coisas. Pois é, cada um com suas batalhas.

Qualquer que seja o motivo que desconcerta seu filho, para ele importa, do contrário não teria choro, não teria protesto. Quando ignoramos isso, quando interpretamos o desgosto das crianças ou dos bebês com nosso olhar adulto, nos distanciamos deles e eles sentem que não importam.

Isso não significa que temos que sair por aí consertando esses eventos a todo custo para que eles não vivenciem essas frustrações. Essa atitude pode inclusive passar a mensagem a eles de que são incapazes de lidar com as dificuldades da vida.

Decepções fazem parte da vida, quando educamos com empatia, não queremos que nossos filhos deixem de sofrer. A diferença é que não provocamos frustrações de treinamento para “prepará-los para a vida dura”, mas aceitamos que fiquem bravos, revoltados ou tristes com suas experiências ruins. Nosso papel é ajudá-los a aceitar essas situações, e não resolvê-las desesperadamente antes que eles comecem a chorar. Essa ansiedade nossa, resultado da nossa inabilidade de lidar com nossas frustrações, só deixa nossos filhos mais frágeis.

Knost10 7 Dicas Para Ajudar Seu Filho a Lidar Com a Frustração“Uma criança se sente poderosa quando vive suas próprias experiências. Por isso, quando a “resgatamos” de experiências que consideramos “um fracasso”, tiramos seu poder próprio. É melhor sairmos do meio para que ela possa trilhar seu próprio caminho. Talvez ela tenha que repetir muitas vezes antes de conseguir o que deseja, mas enquanto isso desenvolverá autoconfiança e experimentará seu poder pessoal. A força não nasce quando obtemos sucesso sempre , mas quando somos capazes de nos recuperar do fracasso e tentar de novo repetidas vezes.”

Naomi Aldort

A vantagem é que, como adultos, sabemos lidar um pouco melhor (ou pelo menos deveríamos) com estas situações e, portanto, podemos ensiná-los a fazer o mesmo. Não vai ser da noite pro dia, mas com o tempo eles vão aprendendo.

7 DICAS QUE PODEM AJUDAR SEU FILHO A LIDAR COM A FRUSTRAÇÃO:

1⃣ Não tente resolver ou evitar a frustração a qualquer custo. Não temos como evitar algumas decepções da criança e nem deveríamos, como já foi dito no texto. Impedir que o castelo caia, que seu filho se suje de areia, abrir outra banana porque a dele quebrou, atitudes assim podem passar a mensagem de que ele não é capaz de lidar com dificuldades.

Ao mesmo tempo, avalie se você está levando seu filho em consideração quando resolve que tá na hora de voltar pra casa, por exemplo. Uma coisa que eu faço com a Nara é avisá-la com antecedência que dali a pouco vamos embora do parque e pergunto quantas vezes ela ainda quer balançar ou descer do escorregador antes de irmos pra casa. Dessa forma ela se sente respeitada, com poder de decisão preservado.

2⃣ Valide seu filho. Empatize com ele, não o julgue, entenda que dentro da sua perspectiva, é difícil para ele lidar com o que acaba de acontecer. Aceite sua raiva, seu choro, sua revolta, ele tem o direito de expressar sua frustração. Mostre que você está ao lado dele, a presença e a conexão são muito poderosas na hora de acolher.

3⃣ Não dramatize a situação. Uma coisa é empatizar, a outra é transformar o tema em um drama e passar a mensagem de que o mundo é difícil, cruel e injusto. Você pode ser mais neutro e descrever a situação: “A banana quebrou e você queria que ela estivesse inteira, eu sei, eu te entendo”, “Você queria continuar brincando e está na hora de ir para casa, que chato né? Eu também gostaria que pudéssemos ficar mais tempo aqui”. Não precisa dizer que a vida é dura, que você entende o quão horrível aquilo deve ser para ele, ele não precisa se sentir vítima.

4⃣ Não fique brava com seu filho, isso também não o ajuda em nada, pelo contrário. Sei que muitas vezes é difícil manter a cabeça fria nessas situações, mas tente respirar fundo e impedir aquela sua reação automática e agressiva. Se preciso (e possível) se afaste um pouquinho até se acalmar. Vai ser melhor para seu filho ficar sozinho por 2 minutos do que escutar seus gritos ou ameaças.

5⃣ Explique as coisas de forma entendível. Adapte suas explicações de acordo com a idade do seu filho. Quanto mais novo ele for, menos palavras. E não tente dar sermão nesses momentos, prefira frases curtas e deixe para retomar a questão depois da tempestade, se for o caso.

6⃣ Brinque com a imaginação do seu filho. Na cabeça dele tem uma imagem muito real de como ele gostaria que as coisas tivessem acontecido, ele só precisa se desapegar dessa imagem. A gente passa por isso todos os dias: brigamos contra a realidade, queremos controlar como as coisas acontecem. Algo que podemos fazer é criar imagens do problema resolvido na cabeça da criança:

“Você queria mais uva e acabou, né? Puxa, já imaginou se tivéssemos um montão de uvas na geladeira? Não seria legal? Você ia querer uvas verdes ou vermelhas? Quantas? Da próxima vez vamos comprar uvas vermelhas, então? Amanhã é dia de ir no mercado e podemos aproveitar para comprar uvas bem vermelhas”.

Não funciona sempre, mas aqui em casa, quando a Nara vira um disco riscado e insiste em querer algo impossível, tento brincar com a imaginação dela. É comum ela entrar na jogo e depois de inventar o que ela faria se aquilo fosse real, ela acaba soltando o problema. Essa também é uma forma de validar o desejo da criança, mostrar que você se importa e gostaria de poder ajudá-la a resolver, simplesmente não tem como. Uma vez que reconhecemos que aquela necessidade é legítima, a criança se sente acolhida e tende a liberar a questão.

7⃣ Não tire sarro da criança por estar brava ou triste com o ocorrido. Isto é faltar com o respeito, tenho certeza que você não gostaria que te tratassem assim. Sem contar que ninguém se sente ajudado sendo humilhado, né? Portanto, não diga coisas como de “Não disse? Viu só? Bem feito, se você tivesse me ouvido, isso não teria acontecido”, isso só faz ela se sentir pior. Por mais que te incomode que a criança não aceite um conselho seu e depois se dê mal por isso, nós não temos que servir de atalho para ela. Permita que ela aprenda a partir de suas escolhas, mesmo que estas te pareçam erradas.

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Quando ajudamos nossos filhos a lidarem com as frustrações da vida, estamos fortalecendo a resiliência neles. Eles estarão mais preparados para cuidar de si mesmos e dos demais. Se fazemos isso com muita conexão, transmitimos a mensagem de que sabemos que são capazes e eles se tornam mais autoconfiantes.

Knost10 7 Dicas Para Ajudar Seu Filho a Lidar Com a Frustração“É importante responder a todas as necessidades da criança, mas não a todos os seus desejos. Quando a criança vive em um ambiente onde ela experimenta grandes doses de conexão, ela não fica traumatizada por ter pequenas doses de desapontamento. Você precisará usar a sua cabeça e o seu coração para ser um pai ou mãe afetivos. Quanto mais informação tiver, mais você confiará em sua cabeça. Quanto mais conhecimento você tiver, mais confiará em seu coração. Quando estiver em dúvida, sempre confie no seu coração.”

Jane Nelsen

Ah! Lembre-se sempre que nossos maiores desafios com nossos filhos geralmente falam de dificuldades que temos com nós mesmas. Portanto, se este é um tema que te deixa muito sensível, reflita sobre isso: Como você lida com suas frustrações? Você se acha capaz de superar decepções? Você foi super protegida na infância? Será que todo esse receio de que seu filho não leve bem uma determinada situação é realista ou fala de uma dificuldade sua que você está projetando nele?

Eu percebo esse movimento muitas vezes comigo: que eu me preocupo com possíveis reações negativas que imagino que minha filha teria e depois percebo que ela encarou de forma muito mais natural a história, eu é que tinha uma questão mal resolvida com o tema. E que bom descobrir isso através dela, ter a oportunidade de me conhecer um pouco melhor e poder trabalhar pontos adormecidos ou inconscientes dentro de mim.

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Espero que este artigo tenha te ajudado a refletir sobre o tema das frustrações dos nossos filhos e trazido ideias práticas de como lidar com elas.

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3 comentários

Texto enriquecedor ! Já senti a diferença nas primeiras horas da relação com minha filha o efeito deste tesouro de texto. Por mais profissionais como você Maíra, que de fato tem amor à profissão. Obrigada 😘

Obrigada, querida!
Tenho recebido feedbacks como o seu e fico feliz de saber que não é só aqui que estas reflexões ajudam!
Um abraço!

Nicia Muller de Souza Nuss

Oi Maíra, obrigada por essa matéria linda!
Cheguei até aqui porque ontem estava brincando com meu filho e estávamos colando adesivos.
Ao tirar um adesivo ele rasgou e aí parecia que o mundo ia acabar. Mas ele gritou demais, saiu correndo, inconformado! Até ai tudo bem, me mantive calma esperando tudo aquilo passar. Mas ele começou a se bater, enfiar as mãos na boca, puxar os lábios e fiquei com medo de se machucar.
Abracei ele e tentei o acalmar e ele começou a me chutar e morder. Foi uma atitude muito incontrolável, que no fim das contas tive que me alterar e ameaçar pra ele parar com aquilo. Até o fato de eu sair de perto fez com que ele gritasse ainda mais.
Quando ele parou conversei e tudo passou. Mas queria a sua opinião de como reagir caso aconteça novamente. Ele completou recentemente 4 anos.

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