Como conversar com os filhos sobre a separação dos pais

– Filha, eu e a mamãe precisamos te contar uma coisa. Yo y mama ya no nos queremos más.

Nara nos olha sem entender. Estamos sentados no sofá da sala. Estou emocionada e apreensiva, faz meses que estou esperando por este momento, não aguentava mais esconder da minha filha a decisão da nossa separação. Ao mesmo tempo, tive que aceitar que era melhor contar pra ela quando já estivéssemos com uma situação concreta para lhe apresentar.

– Filha, algumas vezes as pessoas se conhecem, se apaixonam e decidem ficar juntas. Mas, depois de um tempo, podem deixar de estar apaixonadas. Sendo assim, decidem se separar. Isso foi o que aconteceu com a gente.

– Sim, quando eu e o papai nos conhecemos, estávamos muito apaixonados. Mas hoje não estamos mais.

– Isso significa que não vamos mais morar juntos. Por isso, você vai ter duas casas. Uma para morar com o papai e uma para morar com a mamãe.

– Como o Xavi?

– Sim, como o Xavi!

– Como a menina do conto?

– Sim, como a menina do conto!

– Ah!

– Sim, você vai ficar uns dias com a mamãe e uns dias com o papai. E nos fins de semana vamos fazer passeios os três juntos sempre que possível. Às vezes você vai dormir aqui e às vezes vai dormir com o papai.

Silêncio.

– Você está entendendo, filha?

– Isso vai ser legal!

Ela levanta do sofá, como se tentasse fugir da conversa.

– Filha, você quer conhecer sua casa nova? A casa nova do papai?

– Sim, mas agora eu quero fazer um coelho.

Ela diz isso e sai correndo pelo corredor da casa atrás do livro de origami que acabou de ganhar de Natal.

Eu, que estava esperando um choro desconsolado, fico sem reação.

Achava que ela ficaria sem chão com a notícia e que eu teria que me segurar para conter minhas emoções. Na verdade, eu estava me autorizando a permitir as emoções virem e até avisei o Alfonso para que ele não me cortasse ou tentasse me corrigir diante dela.

Ele não curtiu, mas eu insisti.

– Não tente transformar isso num drama. Nem fazer ela achar que você é a vítima que vai ser abandonada pelo marido. É esta a mensagem que você quer passar para ela?

– Não é isso, só não quero fingir que está tudo bem. Separação dói e eu sou humana. É normal eu ficar abalada. Não tem porque ser um drama, mas não preciso ficar me contendo.

– Ah, então você vai chorar? Vai ser assim?

– Eu não sei! Pode ser que eu chore, pode ser que não, o que eu não quero é me conter. Ela tem que saber que eu sou humana, não vou esconder o que estou sentindo. Isso é péssimo, eu quero que ela se sinta livre para se expressar como precisar. Inclusive isso está escrito no livro que o psicólogo nos passou, você terminou de ler?

– Não, vou terminar agora.

Ajudo a Nara a encontrar no livro a página que ensinava a fazer o coelho.

– Filha, está ficando tarde, estou com fome. Vamos colocar o casaco para almoçar em El Escorial? E depois vamos conhecer a casa do papai? (El Escorial é a cidade onde ele vai morar)

– Sim, mas antes eu quero fazer uma coisa.

Ela agarra uma folha de papel e a cola no peito, escondendo um dos lados.

– Papai, vem aqui! Quero que o papai me ajude a fazer um desenho pra você.

– Ah, entendi.

Os dois se juntam na mesa de centro para desenhar e eu me afasto para dar espaço a eles. De repente escuto ela gritando e chorando.

– Não! Não era pra ter feito isso, não era assim!

Ela rasga o desenho e o joga no lixo. Em seguida, corre pro quarto, gritando que quer ficar sozinha.

Tentamos consolá-la, o pai a pega no colo e se desculpa, explicando que não sabia o que ela queria exatamente.

Estava claro que ela estava soltando o mal estar que a invadiu com a notícia, mas que não processar ou expressar minutos antes.

Demorou um pouco para ela recuperar a calma, mas dali a pouco conseguimos fazer nosso passeio.

É normal a criança não saber como expressar seus sentimentos quando descobre que os pais vão se separar ou é tomada por alguma situação desafiadora. Nós, como pais, temos que ficar atentos e seguir dando espaço para o assunto ser conversado. Precisamos observar as possíveis mudanças de comportamento, ter sensibilidade para entender que muitas vezes a criança pode apresentar comportamentos desafiadores e ter um olhar muito empático.

Eu conversei sobre este tema numa live que fiz com a Viviane Marques, psicóloga e educadora parental, autora do livro Minha Vida em Duas Casas.

Na live, tiramos muitas dúvidas sobre a melhor forma de conversar com os filhos sobre a separação dos pais e também apresentamos o livro Minha Vida em Duas Casas, em que a Viviane Marques e a Fernanda Vernilo contam a história de uma garotinha que passa pelo divórcio dos pais e vai se adaptando aos poucos com a nova configuração de família. A narração permite que a criança elabore as emoções que se apresentam, estimula a colocar suas dúvidas e também ajuda a integrar a ideia de que é possível ser feliz tendo duas casas. Essa ideia também ajuda os próprios adultos, porque muitos de nós temos resistência em acreditar nisso. Muitos temos crenças limitantes em relação ao casamento ou experiências dolorosas de infância relacionadas ao casamento ou à separação dos pais. Fica difícil imaginar que a separação pode ter um bom desfecho, que é a melhor escolha para todos.

Eu fui convidada para escrever o texto da contracapa deste livro e tive a oportunidade de receber versões dele enquanto ainda estava em elaboração. Pude imprimi-las e ler a história para a Nara pouco tempo depois da saída do Alfonso de casa. Ela chegou a pintar algumas páginas e a leitura acabou sendo o estímulo para algumas de nossas conversas sobre o assunto.

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✍️: Maíra Soares

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