Não faça cócegas em seu filho se ele pedir para você parar!

Como é gostoso ouvir as gargalhas dos nossos filhos enquanto fazemos cócegas! Gostamos tanto que, na maioria das vezes, eles pedem para a gente parar, mas não paramos. É muita diversão! Será?
Se é tão bom, por que a criança pede para pararmos com as cócegas?

 De acordo com a PhD em Neurociências, Rosana Alves, as cócegas ativam regiões cerebrais ligadas ao riso, mas também as regiões relacionadas à dor e à proteção do corpo. No início pode até ser divertido, mas logo depois o cérebro recebe a informação de que o corpo se sente ameaçado e corre perigo. Isto gera um desconforto total, por isso a criança pede para parar.

Patty Wipfler, fundadora do Instituto Hand in Hand Parenting, afirma que “o principal motivo que torna a cócega problemática é que as crianças podem não ser capazes de dizer quando querem que ela pare.

O riso é uma resposta automática ao ser tocado por outra pessoa – não é uma resposta que a criança possa recusar. Isso coloca o outro no comando de quando ou por quanto tempo a criança ri”, no comando do corpo infantil.

E o que isso tem a ver com abuso sexual? Para protegermos nossos filhos de qualquer tipo de violência, inclusive a sexual, temos que diariamente passar a mensagem (em palavras e ações), de que ninguém pode tocar no seu corpo sem seu consentimento, que sob qualquer toque que cause desconforto eles devem dizer “Não!”, que pessoa alguma poderá continuar com brincadeiras que os desagradem. (Muitos pedófilos abusam através de “brincadeiras”, etc.).

Se no cotidiano falamos isso, mas não respeitamos os limites do corpo infantil, as nossas palavras perderão a sua força. Portanto, quando uma criança pedir para parar de fazer cócegas: PARE! E se alguém de sua família estiver fazendo cócegas ou outra brincadeira que seu filho se sente desconfortável, e ele te fizer o pedido: “Mamãe, peça para ele parar”, carinhosamente, neste momento interfira e retire a criança daquela situação. Assim, você estará passando as seguintes mensagens para seu filho: “Eu me interesso em te proteger”, “Você não precisa corresponder àquilo que te incomoda”, “Pode até ser divertido para o outro, mas se te faz mal, você não precisa aceitar”.

A ideia aqui não é dizer: “Não faça cócegas!”, mas sim “Respeite o pedido, a fala, as emoções e o corpo da criança!” A criança precisa entender que o corpo é dela e que todos devem respeitar cada parte deste corpo. Isto é fundamental para imprimir na mente infantil conceitos básicos para a prevenção do abuso sexual.
Observação: Muitas vezes as crianças solicitam as cócegas porque desejam o contato com o outro, ou seja, pode ser uma forma de dizer: “Quero seu toque”. Precisamos abraçar mais, beijar mais, brincar mais. Faz bem pra todo mundo! Sigamos com amor!
Texto: Leiliane Rocha

🙋 Quer conhecer melhor o trabalho da Leiliane Rocha? Ela é autora do ebook “Sexualidade Infantil Sem Segredos”, que foi feito para pais que não apenas querem entender melhor sobre o universo da Sexualidade Infantil como sentem necessidade de orientar seus filhos para protegê-los do abuso sexual ou de uma iniciação sexual precoce. Pais que sabem que o sexo é um assunto “tabu” e querem poder abordá-lo com os filhos sem constrangimentos.

É um livro super completo, que explica por exemplo: o que é sexualidade infantil, por que é importante e como iniciar a educação sexual já na infância e como é o desenvolvimento da sexualidade infantil. Além disso, ele responde às principais dúvidas das crianças sobre sexo, te ajuda a entender de que forma podemos reagir a essas perguntas sem gerar constrangimento.

Por ser um tema tabu na maioria das famílias e rodas de conversa, não é fácil se imaginar falando sobre sexo com nossos filhos. Afinal, a partir de quando podemos falar sobre sexualidade com as crianças? Como saber se a curiosidade deles é natural ou se precisamos nos preocupar ou corrigir certos comportamentos? Como podemos proteger nossos filhos de possíveis abusadores? Como identificar se meu filho pode estar sofrendo abuso sexual? E o que fazer se descobrir que já aconteceu?

Não sei como foi para você, mas eu já tive inúmeras questões rondando minha cabeça sobre a sexualidade infantil e que tive muita dificuldade em encontrar uma fonte confiável que pudesse me esclarecer e guiar. Foi aí que encontrei o perfil da Leiliane Rocha no Instagram e comecei a segui-la. Ela é uma grande ativista em defesa de nossas crianças e tem um trabalho lindo difundindo informação empoderadora sobre a sexualidade infantil, com uma preocupação insaciável de proteger nossas crianças do abuso sexual infantil.

Seu trabalho não apenas ajuda pais que têm dificuldade de abordar o tema da sexualidade com os filhos, como explica detalhadamente de que forma podemos proteger nossas crianças de possíveis abusadores.

Entre 2011 e 2017, foram notificados 184.524 casos de violência sexual no Brasil, sendo 31,5% contra crianças e 45,0% contra adolescentes. Os dados são de um Boletim Epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde em junho do ano passado. Assustadoramente, os dados mostram que 51,2% das vítimas estavam na faixa etária entre 1 e 5 anos. Não podemos fechar os olhos para esta triste realidade, torcer o nariz e dizer que é frescura pensar sobre isso e que ficar falando disso com nossos filhos pode assustá-los ou induzi-los a uma iniciação sexual precoce. Não! É preciso instruí-los para que não estejam expostos a estas situações ou que saibam reconhecer e se defender caso alguém tente invadir seus corpos.

Para proteger nossos filhos do abuso sexual, é fundamental que os eduquemos com respeito e confiança, sem castigos, punições ou palmadas. Isso também é uma forma de protegê-los do abuso! Quando batemos em uma criança, ela associa amor com dor, ela entende que tudo bem o adulto manipular e agredir o corpo dela (e que se alguém a ama e a machuca, não é um problema). Como ela vai identificar que o abusador está fazendo algo de errado? Além disso, como ela vai pedir ajuda aos pais se estes costumam bater nela ou castigá-la quando ela faz algo de “errado”? O castigo e a palmada fazem a criança ter medo dos pais e isso pode impedi-la de pedir ajuda a eles em situações de apuros, porque temem a reação do adulto e acreditam que podem ser punidas. Fica aqui o alerta!

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