Como acompanhar as emoções de nossos filhos em fases desafiadoras

– Meu amor, que saudades! Como foi seu dia?

– Muito ruim, mamãe!

– Por que, querida, que aconteceu?

– Eu chorei quando o papai foi embora.

– Você não queria que ele fosse embora?

– Não!

– Você está triste porque hoje não vai dormir com ele?

– Sim.

– Eu sei, meu amor, te entendo. Ficar com o papai é muito gostoso, né?

– Sim, tô com saudade dele.

– Claro, é normal. Quando a gente gosta muito de ficar perto de alguém e não pode estar, a gente sente saudade, né? Eu sinto muito. Me dá um abraço forte. (nos abraçamos mais) E você chorou muito?

– Sim, eu chorei sozinha.

– Por que, meu amor?

– Eu não queria que ninguém me visse…

– Ah, minha linda, você não precisa ter vergonha de chorar, ok? Chorar é bom, ajuda a tirar a tristeza de dentro e está tudo bem ficar triste. Todo mundo de vez em quando precisa chorar, é normal… Eu já contei pro Enrique (o professor) que você agora tem duas casas e ele disse que se você precisar ele te dá colinho. Se você ficar triste, pode pedir colo pra ele, ok? É muito melhor chorar quando estamos com alguém e você não precisa se esconder por estar triste. Você gosta quando te dou colo e abraço quando você chora? Não é melhor que chorar sozinha?

– Sim, mamãe.

– Então vamos combinar que se você quiser chorar ou ficar triste, você pode pedir colo pro Enrique?

– Tá bom, mamãe.

Essa foi a conversa que tive com a Nara estes dias, quando a busquei na escola pra ficar comigo depois de 5 noites dormindo com o pai. Foi a primeira semana da Nara com duas casas. Estamos compartilhando a guarda dela assim: às 2as e 3as ela dorme comigo, às 4as e 5as com o pai e de 6a a domingo, alternamos (com a ideia de nos vermos os 3 pelo menos um dia no fim de semana, para ninguém ficar tanto tempo sem vê-la). Esta semana acabamos nos vendo todos os dias.

A criança vai sentir o impacto da separação, não tem como evitar.

Um dos grandes aprendizados que estou tendo com a maternidade, por conta do meu processo de autoeducação, é de entender que não podemos evitar a dor. A dor faz parte da vida, não temos que acreditar que a meta é evitar que ela aconteça. Isso seria uma cobrança cruel e ilusória. Está claro que não queremos sentir o desconforto da dor, mas resistir a ela ou evitar que ela apareça a qualquer custo, nos impede de aprender com a dor. A dor pode ser um portal de crescimento (neste episódio da Tenda Materna eu e a Clarissa falamos muito disso), de amadurecimento emocional. Aprender a lidar com a dor é o que nos torna resilientes. Portanto, diante da dor de nossos filhos, temos que aprender a acompanhar suas emoções, sem tentar resgatá-los a qualquer custo, a distraí-los do que estão sentindo como se fosse urgente eles eliminarem aquela sensação. Para isso, precisamos aprender a lidar com nossas emoções, a abrir espaço para que nossas dores se manifestem sem medo. Validar e acolher nossas dores é um jeito de conectar com nossa criança interior ferida e materná-la, oferecer a ela o amor e apoio que não recebeu na infância.

Cabe a nós a sensibilidade de permitir que a dor de nossos filhos se expresse. Temos que ficar atentos com possíveis mudanças de comportamento em fases desafiadoras como separação dos pais, chegada de um bebê em casa, mudança de casa ou de escola, perda de alguém. Entender que esses comportamentos são formas de comunicar um mal estar interno. Nosso papel é aprender a acompanhar, dar apoio e passar confiança a eles. Vai passar. E vai ser muito mais leve se eles se sentirem compreendidos e acompanhados.

Texto: Maíra Soares, Consultora em Criação Consciente e Educadora Parental (janeiro de 2020)

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Espero que este artigo tenha te ajudado.

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